quarta-feira, novembro 15, 2006

Intervalo


[Hoje, nas dobras das horas, mais um daqueles dias em que se houve jazz e dá vontades de dominar o mundo, as letras, escrever até os dedos incharem e caírem, produzir absurdos, encher a cara de esperanças verdinhas em botão, caminhar dentro de livros e músicas, comer flores roxas, that’s allright mamma, estar dentro de outra pessoa, morar num abismo, cavalgar nuvenzinhas desfeitas, pedaços de trapo colorido, cansar de chorar e de rir, sentir cheiros fortes e doces, cinema e pipoca com guaraná, chuva na cabeça, vento nas janelas, correr pelo mato, fugir e se perder, esquecer o nome, o dia, o tempo, cortinas azuis de manhã, escrever escrever escrever escrever automaticamente, ranger dentes, suar pérolas, rasgar papéis... Sonhar mais um pouquinho com o livro maravilhoso que escrevi outra noite dessas (um capítulo inteiro, tão bom estava ficando! – falava de um grupo de jovens, e eles se comunicavam por metáforas que aconteciam concretamente). Tanto a fazer. Nas dobras. Dos minutos. Calar, sentir, descansar. Repouso, percepção. Pensamentinhos bobos. Luz de velas. Suco de caju. Um cigarro bem quietinho. ]

2 comentários:

Café Cluny disse...

Esses dias em que uma volta na quadra viaja a gente, em que a vontade é de nunca voltar á companhia cosmodemoníaca, em que se pensa sorrindo no livro que vai vir.

Vivian Luiz disse...

Acertou perfeitamente na escolha do texto: do jeitinho que eu gosto. Essa coisa natural, pensamentos soltos, parece meu cérebro escrito, uma sucessão de pensamentos nem sempre coesos. Adorei, adorei.

Visitarei novamente em breve, espero que volte a postar.
Bjos!