sábado, agosto 20, 2005

Ninfolepsia

Claro, já sabíamos o que viria. Posicionei-me contra a luz da janela, deixando as cortinas cobrirem pedaços do meu corpo. Ao crepúsculo, minha pele ganhou tons alaranjados. Eu não usava nada além do tecido transparente das cortinas.

Fiquei. Olhos me perseguiam, captando meus gestos mínimos, até mesmo o suave erguer do peito a cada inspiração. O rosto do homem abriu-se como se um sol estivesse explodindo. Ouvi-o arfar, gemer. Tive asco.

Notei então uma pequena aranha que construía sua casa na veneziana encardida. Alheia, inconsciente. Tremi. Ignorava-me, a aranha, ao passo que, para o homem na cama, eu era o mundo. Algo não parecia certo, afinal.

Por um instante senti que a aranha me observava, censora da minha leviandade, acusando-me no movimento tímido das quelíceras. Quanto mais eu me esforçava para não notá-la, mais perdia a noção dos meus movimentos. O homem mexia-se muito, sobre a cama. Gritei.

Nada havia a fazer, e por isso vesti-me apressada, sob o olhar e as palavras do homem, que não me lembro, não vale a pena pensar. Saí.

[Marpessa]

2 comentários:

paredro disse...

Marpissal.

Anônimo disse...

o que é ninfolepsia... estou pesquisando, soube que existe mais de um significado... mas n encontro...
se vc puder me ajudar manda para o email:
escreve-pra-mim@oi.com.br