quarta-feira, agosto 03, 2005

Turfa

Passeava pela rua vendo sua beleza escorregar pela superfície das vitrines. Nada mais agradável a uma mulher que ver-se refletida. No entanto, ninguém jamais vira o que Ana estava vendo, diante de uma loja de sapatos.

Dentro da loja, sombras. No vidro, Ana. Dentro da loja, sombras sustentadas por ossos. No vidro, Ana acinzentada. Dentro, sombras sustentadas por ossos que se moviam com dificuldade. Fora, Ana acinzentada, acompanhando com olhos túrgidos o pôr-do-sol à sua direita.

Um sonho espantoso? As caveiras tinham rostos esponjosos e escuros. Ana mirava-se sabendo que um espelho reproduz a realidade. Em silêncio absoluto, afastou-se dali para nunca mais mirar-se novamente.

[Marpessa]

Um comentário:

Thiago Quintella disse...

Sombra, interessante tema que já me enculcou!
Compta com esse, é pule de dez!!