quarta-feira, agosto 03, 2005

Lepidópteros

Ordem de insetos, cujos indivíduos perfeitos são vulgarmente conhecidos por borboletas. Assim está no dicionário. Décio pegou sua rede e saiu à caça. Certamente conseguiria alguns exemplares interessantes.

Era manhã, o jardim brilhava. Décio apanhou uma, duas, três; guardou-as em vidros transparentes, tampados, com perfurações para que os bichinhos respirassem. Quando cansou-se, o estudioso de lepidópteros, o apanhador de borboletas, juntou seus vidros e foi para casa.

Depois de uma tarde comprida e morna, Décio pensou que não havia o que fazer com as borboletas. Fixou uma, que lhe sorria desesperadamente. Asas vermelhas. Parecia esperar por uma decisão de seu algoz. Décio lhe sorriu de volta e se sentiu dentro do vidro.

Movido por estranhos sentimentos, decidiu libertá-las. Não havia porquê mantê-las. E elas se foram, carregando pedacinhos de tempo. Novamente inefáveis.


[Marpessa]

4 comentários:

Luís H. Garcia disse...

Inefáveis...:)

Mas será que elas esquecem que um dia estiveram presas em vidros de maionese?

Beijos.

Michel disse...

o Décio sempre foi esquisito?

Acid disse...

Ainmda bem que no final deu tudo certo para as borboletas. Adoro historias com final feliz!

bjs

Thiago Quintella disse...

A beleza das borboaxoltles encantaram suficientemente o protagonista... na verdade, ele que estava sendo caçado!